quarta-feira, 25 de junho de 2008

Capítulo I

Havia um homem tão rico que poderia comprar mais de mil camelos com apenas parte de suas posses. Suas terras eram tão grandes que, mesmo da mais alta montanha, ainda não se poderia alcançar o fim com apenas um olhar. Empregados não lhe faltavam para por-lhe a mesa sempre à mesma hora, quinze minutos antes do meio-dia, para que não lhe faltasse fome e também para que esta não o tomasse por inteiro. Nem se diga de suas roupas, feitas dos mais variados tecidos, desenhados pelos mais ilustres artistas de todas as regiões do mundo.
Todos lhe adoravam, diziam ser ele o salvador de todos que ali estavam. Deu-lhes um emprego, muito trabalho é verdade, para ser sincero, escravidão, meu senhor, mas pelo menos tinham a comida ao final do dia e um lampião para que a conversa ao redor da mesa não fosse feita só de bocas e ouvidos. Era o que tinham e agradeciam.
Não havia capelas, as rezas eram feitas ali mesmo, na cozinha, na sala, ou baixinho, por baixo do travesseiro, quando alguém tinha cometido um erro tão grande que o peito reclamava e o corpo desaguava em tormento.
A vida era assim, meio a meio, sofrida, por dizer.
Até que chegou um viajante.